G /g/ e K /k/ são articulados exatamente com o mesmo movimento de língua: o dorso da língua se eleva para bloquear o ar no palato mole (o céu da boca). A diferença está no vozeamento. O /g/ é sonoro e faz as cordas vocais vibrarem (você consegue sentir a vibração na garganta), enquanto o /k/ é surdo, feito apenas de ar. No início de uma sílaba tônica, o /k/ americano recebe também um forte sopro de ar chamado aspiração. Como nós não aspiramos essas consoantes no português brasileiro, se você não adicionar esse sopro ao dizer cat, os americanos provavelmente ouvirão gat.
Em que os dois sons se diferenciam.
4 pequenos ajustes da boca. Basta errar um para o som escorregar para o vizinho.
Agora é a sua vez.
Grave você dizendo "Got" e "Cot" várias vezes. Depois se escute: o seu próprio ouvido é o melhor guia para acertar o contraste.
Palavras que mudam com um único som.
Cada par abaixo se diferencia por um único som: troque /g/ por /k/ e o significado muda junto. Toque em qualquer palavra para ver a análise completa.
Se o seu ouvido troca os dois, o motivo é este.
Há dois grandes obstáculos aqui. Idiomas como o espanhol, o russo e o francês (assim como o português) não adicionam um sopro de ar (aspiração) ao seu /k/. Quando os falantes dessas línguas dizem coast sem esse sopro, os americanos costumam entender ghost, porque um /k/ não aspirado soa exatamente como um /g/ para os ouvidos americanos. O alemão e o russo também possuem uma regra chamada "desvozeamento final", que transforma automaticamente um /g/ sonoro em um /k/ surdo no final da palavra, fazendo bag soar idêntico a back. No inglês americano, o contraste no final de uma palavra é dado principalmente pela vogal que antecede a consoante, e não pela consoante em si. O falante americano alonga a vogal antes de /g/ e a encurta antes de /k/, mesmo que a consoante /g/ final fique frequentemente retida na boca, sem soltura e com quase nenhuma vibração audível.
Treine primeiro o músculo, depois o ouvido.
3 exercícios curtos. Faça em voz alta: sinta a mudança dentro da boca antes de tentar ouvi-la.
Segure um pedaço de papel a uns três centímetros da boca. Diga coat, cat, keep. O papel deve esvoaçar com o sopro de ar. Agora diga goat, gat, geese. O papel deve mal se mexer.
Verifique a vibração na garganta onde ela realmente fica evidente: entre as vogais. Coloque os dedos na garganta e diga a-g-a, como se estivesse dizendo o meio da palavra ago. A vibração deve continuar ininterruptamente através da consoante central. Agora diga a-k-a; a vibração para por um instante quando a língua sobe para formar o K. (Tentar sustentar um g-g-g longo no começo de uma palavra não funciona; por natureza, as oclusivas sonoras sufocam o fluxo de ar em uma fração de segundo assim que o bloqueio é formado).
Pratique as consoantes finais alongando a vogal. Diga back rapidamente. Agora diga bag, mas sustente o som da vogal pelo dobro do tempo antes de terminar a palavra (cuidando para não acrescentar nenhum som de vogal extra no final). Os ouvidos americanos dependem fortemente dessa duração vocálica para saber que um /g/ está a caminho.