Para perceber a diferença entre bet /ɛ/ e but /ʌ/, concentre-se na posição da sua língua no eixo anteroposterior. No caso do /ɛ/ — que soa praticamente idêntico ao nosso "é" de pé —, a parte anterior da língua se eleva a uma altura média, e os cantos dos lábios recuam levemente. Já no /ʌ/, a língua permanece baixa e relaxada bem no centro da boca; os lábios ficam neutros e a boca parece ter mais espaço livre, embora o maxilar quase não se mova. O brasileiro costuma errar o alvo desses sons, pronunciando o /ɛ/ de forma muito tensa e abaixando demais o /ʌ/. A correção é simples: projete o corpo da língua para a frente no /ɛ/ e deixe que ela recue para uma posição neutra no /ʌ/. Experimente o par dead /dɛd/ e dud /dʌd/. As consoantes são idênticas; muda apenas a vogal. A sua boca só precisa fazer um movimento.
Em que os dois sons se diferenciam.
5 pequenos ajustes da boca. Basta errar um para o som escorregar para o vizinho.
Agora é a sua vez.
Grave você dizendo "Bet" e "But" várias vezes. Depois se escute: o seu próprio ouvido é o melhor guia para acertar o contraste.
Palavras que mudam com um único som.
Cada par abaixo se diferencia por um único som: troque /ɛ/ por /ʌ/ e o significado muda junto. Toque em qualquer palavra para ver a análise completa.
Se o seu ouvido troca os dois, o motivo é este.
Como muitos idiomas não têm exatamente essas vogais, a tendência é substituir os sons americanos por aqueles que já conhecemos. Em vez de simplesmente fundir os dois, é comum que o estudante pronuncie o /ɛ/ com muita tensão (puxando para um 'ay') e abaixe demais o /ʌ/ (como um 'ah' bem aberto, parecido com o nosso 'a' de pato). O segredo é que o /ɛ/ do inglês tem uma qualidade marcadamente anterior (é a parte anterior da língua que trabalha), enquanto o /ʌ/ soa central e oco (o corpo da língua fica inerte).
Treine primeiro o músculo, depois o ouvido.
4 exercícios curtos. Faça em voz alta: sinta a mudança dentro da boca antes de tentar ouvi-la.
Checagem no espelho com pares mínimos: diga bed, bud, bed, bud. Observe os seus lábios. No bed, os cantos da boca devem se retrair formando um sorriso mínimo e sutil. No bud, os lábios precisam relaxar por completo. Se não houver mudança labial, é provável que você esteja colapsando os dois sons em um só.
O foco na língua ('anterior vs. central'): solte um longo eh e sinta onde o som ressoa — atrás dos dentes superiores, projetado para a frente. Agora deslize para um longo uh e sinta a ressonância recuar para o meio da boca. Treine essa transição nas duas direções até se acostumar com o movimento.
Grave-se lendo este molde de frase: I said "dead", not "dud". Ouça a gravação. As duas palavras precisam soar nitidamente diferentes. Se isso não acontecer, exagere a elevação anterior da língua no /ɛ/ e o abaixamento central no /ʌ/.
Alongue o /ʌ/ em palavras corriqueiras como love, cup e nut. Os americanos usam essa vogal o tempo todo na fala do dia a dia. Acertar esse timbre central e oco é um atalho rápido para que o seu inglês soe menos hiperarticulado e mais natural.